Deputado do PP/RS eleito o Racista do Ano!
O deputado Heinze finalmente consegue algum destaque por suas opinões.
"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete." - Aristóteles
sexta-feira, 21 de março de 2014
A passeata de Deus pela Liberdade da Família. Ou coisa assim
"A diferença entre as recordações falsas e as verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias: são sempre as falsas que parecem mais reais, mais brilhantes." - Salvador Dalí
É curta a memória do homem.
Está sendo divulgada a convocação para uma nova edição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade
A primeira edição, em 1964, foi uma resposta da "família brasileira", a um comício do então presidente João Goulart, que prenunciaria a ditadura comunista no Brasil.
O globo se encontrava polarizado entre americanos e soviéticos, e a escolha de um dos sistemas geralmente implicava na perseguição política ao grupo oposto. A polarização trazia ia alem da simples influência ideológica, incluía desde apoiar sublevações até intervenções diretas.
Em resumo, a MFDL foi o componente civil que "legitimou" o Golpe Militar de 31 de Março. Não falaremos dele hoje, mas todos sabem que, feito o balanço, a ditadura foi uma era de 21 anos de atraso político e civil, sem os benefícios sociais e econômicos prometidos.
Mas, é curta a memória do homem. A proposta feita pelos novos manifestantes traz uma agenda difusa (contra a corrupção e por melhoria na educação), mas pede literalmente a volta da ditadura militar.
É preciso entender a lógica do problema. Como passeatas de junho, existe muita insatisfação com a cleptocracia brasileira, a impunidade, e péssima administração pública. É provável que muitos dos manifestantes sejam inocentes úteis, apoiando uma pauta cívica legítima.
Mas também há manifestantes iludidos. As palavras Deus, Família e Liberdade são extremamente gregárias. Basta algum desconhecimento histórico para se cair nesta armadilha semântica. Porém, acredito que esse grupo manipulável seja minoritário.
O que leva ao ponto principal: os elementos que clamam por uma ditadura, neste caso, militar. Em fóruns abertos, é possível notar pedidos explícitos neste sentido.
Além dos horrores da ditadura brasileira, a opção por um regime de exceção denota outras características: um regime onde não seja necessário debater; um regime onde não haja risco de alternância de poder; onde não haja compromisso com a transparência - todas caraterísticas de uma covardia política
É a escolha fácil, e não a certa. É um atestado de insignificância intelectual acreditar que os graves problemas do Brasil se resolverão com um regime baseado na força, e não no debate transparente.
Finalmente, mesmo entre os apoiadores do golpe de 1964, há o entendimento que o Brasil é outro. Sou crítico de muitos artifícios que o atual governo usa, mas nenhum deles é ilegal ou antidemocrático. São feitos pelo PT, poderiam ser feitos pelo PSDB, PMDB.
Se a passeata de 1964 foi justificada em teoria pela manutenção do estado de direito, frente a uma ameaça totalitária de esquerda, os manifestantes de 2014 devem saber que será deles a culpa de ameaçar o estado de direito.
Por fim, para aqueles que após a leitura, ainda acreditam que uma ditadura (de esquerda ou direita) pode ser a solução, recomenda-se apenas cuidado onde pisar...
quarta-feira, 19 de março de 2014
Petrobrás: falência ou falácia?
"The biggest cowards are managers who don't let people know where they stand" - Jack Welch
A Petrobrás sempre foi mais que uma empresa. Desde sua gênese, sempre foi um ícone, tanto por seu papel funcional no desenvolvimento do país, quanto pela sua aura estratégica e política. Discussões sobre a empresa sempre estiverem envoltas numa névoa que mistura negócios com soberania, lucros com orgulho.
Como empresa, sempre teve uma liderança tecnológica impecável, especialmente no que tange a exploração em plataformas oceânicas. Sempre figurou com lugar de destaque nos rankings de faturamento e produtividade na America Latina.
Porém, dificilmente estes fatores são os de maior interesses nas conversas sobre a empresa. E mais uma vez, está em questão, devido à preocupação generalizada sobre seu endividamento decorrente do uso político.
De fato, não se pode ignorar uma variação no preço da ação de R$ 29,00 para R$ 12,60. A grande preocupação nacionalista, a "dilapidação do patrimônio do povo", acabou acontecendo de outra maneira: o "patrimônio do povo", posto em termos contábeis e não ideológicos, vale US$ 100 bilhões a menos do que quando Dilma assumiu a presidência.
Mas, a gestão da Petrobrás, afinal, está comprometida? Ou trata-se de uma bem articulada expectativa de investidores que apostam contra o Brasil? Afinal, os indicadores de produção, faturamento, lucro e investimentos mostram um cenário bastante possível.
Embora o texto não mencione, as tabelas expõe onde está a verdadeira encruzilhada entre a empresa grande e eficiente, e a gestão irresponsável: endividamento, que vem de duas origens:
1. Má gestão: independente de seus excelentes quadros técnicos, a Petrobrás é estatal, por isso sujeita a decisões políticas. O fato de seu controle de capital ser difuso também dificulta um rigor maior sobre suas decisões. O desastre da Refinaria de Pasadena ilustra esse caso.
2. Uso político: embora a má gestão seja capaz de produzir decisões inaceitáveis, podemos assumir que o ambiente de negócios é sujeito a riscos, acertos e erros. Todavia, as restrições ao repasse dos preços, alertaram o mercado que o compromisso do Ministério da Fazenda é com o ano eleitoral, não com a saúde financeira da empresa.
A opinião do blog é que o Ministro Mantega, embora limitado, não inventou esse recurso. A "contabilidade criativa" vem desde sempre, com exemplos universais. Porém, isso não faz menos condenável a prática de corromper o patrimônio popular em troca da perpetuação de seu partido no poder.
Qual a sua opinão?
Como empresa, sempre teve uma liderança tecnológica impecável, especialmente no que tange a exploração em plataformas oceânicas. Sempre figurou com lugar de destaque nos rankings de faturamento e produtividade na America Latina.
Porém, dificilmente estes fatores são os de maior interesses nas conversas sobre a empresa. E mais uma vez, está em questão, devido à preocupação generalizada sobre seu endividamento decorrente do uso político.
De fato, não se pode ignorar uma variação no preço da ação de R$ 29,00 para R$ 12,60. A grande preocupação nacionalista, a "dilapidação do patrimônio do povo", acabou acontecendo de outra maneira: o "patrimônio do povo", posto em termos contábeis e não ideológicos, vale US$ 100 bilhões a menos do que quando Dilma assumiu a presidência.
Mas, a gestão da Petrobrás, afinal, está comprometida? Ou trata-se de uma bem articulada expectativa de investidores que apostam contra o Brasil? Afinal, os indicadores de produção, faturamento, lucro e investimentos mostram um cenário bastante possível.
Embora o texto não mencione, as tabelas expõe onde está a verdadeira encruzilhada entre a empresa grande e eficiente, e a gestão irresponsável: endividamento, que vem de duas origens:
1. Má gestão: independente de seus excelentes quadros técnicos, a Petrobrás é estatal, por isso sujeita a decisões políticas. O fato de seu controle de capital ser difuso também dificulta um rigor maior sobre suas decisões. O desastre da Refinaria de Pasadena ilustra esse caso.
2. Uso político: embora a má gestão seja capaz de produzir decisões inaceitáveis, podemos assumir que o ambiente de negócios é sujeito a riscos, acertos e erros. Todavia, as restrições ao repasse dos preços, alertaram o mercado que o compromisso do Ministério da Fazenda é com o ano eleitoral, não com a saúde financeira da empresa.
A opinião do blog é que o Ministro Mantega, embora limitado, não inventou esse recurso. A "contabilidade criativa" vem desde sempre, com exemplos universais. Porém, isso não faz menos condenável a prática de corromper o patrimônio popular em troca da perpetuação de seu partido no poder.
Qual a sua opinão?
terça-feira, 18 de março de 2014
Lucidez Política
"In time of war the first casualty is truth"
Boake Carter
A divisão entre "petralhas" e "coxinhas" tem se tornado um cabo de guerra ideológico, onde ambos os lados buscam ter razão, e não construir um país.
A paixão pelas idéias, combustível do debate, é parte perene da História política. A paixão sempre moveu os lideres e mobilizou massas, para o bem ou para mal. A idéias apaixonam, e a paixão é indissociável do diálogo político, e justifica o dinamismo das Ciências Sociais.
Mas a paixão, como sabemos, cega. A paixão política, o alinhamento incondicional com uma ideologia, nos obriga a distorcer a interpretação dos fatos para adequá-los a nossa visão de mundo. Tal como o torcedor de futebol, que acredita que ano após ano, seu time é o melhor. Perca ou ganhe.
O diálogo político, porém, exige sobriedade e isenção. Não é o que vemos, quando meios de comunicação e cidadãos alinham-se incondicionalmente a este ou aquele viés ideológico.
Tenho visto conhecidos de respeitáveis formações caindo no debate fácil de ideologia. Vejam o recente debate sobre os mensalões:
Um grupo questiona a isenção do STF, pois um dos seus ministros fora advogado do partido identificado com os réus. O outro grupo responde questionando sobre a impunidade do mensalão mineiro. Entre criminosos absolvidos, e criminosos impunes, perde o Brasil.
O blog Um Brasileiro Digno não é sobre a Terceira Via. Sobre a política conciliadora e "em cima do muro". É sobre a isenção de apontar erros onde quer que apareçam.
De entender que a compra de votos da reeleição de FHC é tão nefasta quanto o projeto de perpetuação de poder do PT.
Que a ditadura Pinochet é tão condenável quanto a de Fidel.
É, enfim, a imparcialidade de discutir idéias de forma crítica, e não alinhar-se dogmaticamente a esta ou aquela ideologia. De trazer, sempre que possível os dois pontos de vista sobre um tema, comentado, e minha opinião.
Opinião que merece um comentário: evidentemente, não estou livre da paixão. Sou parte em muitos dos temas, tenho minha preferência política, e acredito num repertório de ideais, que acredito serem os corretos.
Mas sei que mesmo estes ideiais, universais de acordo com minha moral, são relativos, portanto conta com vossa colaboração para criticar e trazer lucidez a discussão.
Bem vindos!
Assinar:
Postagens (Atom)
