"Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove não poderão ir para o Céu - lá sempre faz bom tempo!" - Mario Quintana
Dia a dia, se agrava a situação do sistema Cantareira. Uma combinação única de fatores meteorológicos, falta de planejamento, e improdutivas discussões eleitoreiras deixa a maior cidade do país ameaçada de falta de um dos bens mais básicos a sobrevivência, a água limpa e de qualidade.
Me parece infantil creditar a crise ao governo Alckmin. É quase uma rendição, como a do garoto que, acuado, diz que a mãe do amigo é gorda.
O governador tem pendências com a população inquestionáveis. Áreas como a educação, sobretudo a situação financeira das universidades. Em que pese as universidades estaduais paulistas serem centros reconhecidos de excelência, este posicionamento está em risco. Mais do que o status, a situação financeira da USP é delicada.
Também cai na conta do governador Alckmin a segurança pública. Estatísticas do governo sempre se tornam pouco críveis quando confrontadas com a realidade, a sensação de insegurança, o número de conhecidos que foram tocados direta ou indiretamente pela violência, os hábitos que se alteram, as vizinhanças que se deixa de frequentar.
Também se espera do chefe do Executivo estadual apoio incondicional as investigações sobre os trens do Metro, cada vez mais perto de membros influentes de seu partido.
Mas a questão hídrica é mais delicada. A intensidade da seca é algo novo, algo difícil de se prever. Poderíamos ter construído um novo reservatório para uma calamidade destas? Certamente que sim.
Mas... seria uma prioridade no uso de impostos? Deveríamos instalar aquecedores em Teresina ou Cuiabá para o caso hipotético de um inverno escandinavo? Deveríamos equipar nosso exército para o caso de uma invasão americana ou russa? Deveríamos construir abrigos para o choque de um cometa ou num plano de contingência para um apocalipse zumbi?
Certamente que não.
Qualquer avaliação de investimento deve considerar o impacto vs a probabilidade. Costuma-se dizer, e não sei se é verdade, que a tecnologia atual poderia fazer aviões mais seguros. Mas o custo destas melhorias marginais tornaria proibitivo o custo de operação. Entende-se que o grau de segurança atual já é tão elevado, que não se justifica a o custo / benefício incremental.
O dimensionamento segue o "paradoxo de Aparecida", ou seja, uma basílica que diariamente recebe centenas de pessoas, mas que em um dia, recebe 200.000 mil. Que dimensão devem ter os serviços desta basílica? Certamente a nave deve ser dimensionada para o máximo, mas uma série de serviços opera o ano todo com capacidade reduzida, sendo ampliada apenas nas datas mais importantes.
Me parece claro que a seca de 2014 foi um acidente histórico, cuja prevenção nunca foi prioridade, pela baixíssma probabilidade de ocorrer.
Mas ocorreu. E isso significa que pode ocorrer de novo. Se o governo Alckmin teve o pecado venial de apostar contra a natureza e perder, não ter um plano de contingência para mais um ano de estiagem certamente será um pecado mortal.
Me parece infantil creditar a crise ao governo Alckmin. É quase uma rendição, como a do garoto que, acuado, diz que a mãe do amigo é gorda.
O governador tem pendências com a população inquestionáveis. Áreas como a educação, sobretudo a situação financeira das universidades. Em que pese as universidades estaduais paulistas serem centros reconhecidos de excelência, este posicionamento está em risco. Mais do que o status, a situação financeira da USP é delicada.
Também cai na conta do governador Alckmin a segurança pública. Estatísticas do governo sempre se tornam pouco críveis quando confrontadas com a realidade, a sensação de insegurança, o número de conhecidos que foram tocados direta ou indiretamente pela violência, os hábitos que se alteram, as vizinhanças que se deixa de frequentar.
Também se espera do chefe do Executivo estadual apoio incondicional as investigações sobre os trens do Metro, cada vez mais perto de membros influentes de seu partido.
Mas a questão hídrica é mais delicada. A intensidade da seca é algo novo, algo difícil de se prever. Poderíamos ter construído um novo reservatório para uma calamidade destas? Certamente que sim.
Mas... seria uma prioridade no uso de impostos? Deveríamos instalar aquecedores em Teresina ou Cuiabá para o caso hipotético de um inverno escandinavo? Deveríamos equipar nosso exército para o caso de uma invasão americana ou russa? Deveríamos construir abrigos para o choque de um cometa ou num plano de contingência para um apocalipse zumbi?
Certamente que não.
Qualquer avaliação de investimento deve considerar o impacto vs a probabilidade. Costuma-se dizer, e não sei se é verdade, que a tecnologia atual poderia fazer aviões mais seguros. Mas o custo destas melhorias marginais tornaria proibitivo o custo de operação. Entende-se que o grau de segurança atual já é tão elevado, que não se justifica a o custo / benefício incremental.
O dimensionamento segue o "paradoxo de Aparecida", ou seja, uma basílica que diariamente recebe centenas de pessoas, mas que em um dia, recebe 200.000 mil. Que dimensão devem ter os serviços desta basílica? Certamente a nave deve ser dimensionada para o máximo, mas uma série de serviços opera o ano todo com capacidade reduzida, sendo ampliada apenas nas datas mais importantes.
Me parece claro que a seca de 2014 foi um acidente histórico, cuja prevenção nunca foi prioridade, pela baixíssma probabilidade de ocorrer.
Mas ocorreu. E isso significa que pode ocorrer de novo. Se o governo Alckmin teve o pecado venial de apostar contra a natureza e perder, não ter um plano de contingência para mais um ano de estiagem certamente será um pecado mortal.
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